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Teoria dos Sistemas Vivos por Humberto Maturana: Explorando a Vida, a Cognição e a Interação Humana


"A emoção é o fundamento do cognitivo. Sem emoção não há cognição, sem emoção não há valor, sem emoção não há razão."

Humberto Maturana



Como a vida e a cognição estão interligadas?

Qual é o papel da percepção e do conhecimento humano na construção da nossa realidade?


Humberto Maturana (1928 - 2021), renomado médico, biólogo e filósofo chileno, foi uma figura proeminente que deixou um legado duradouro em diversas áreas do conhecimento. Maturana dedicou sua carreira a explorar as complexidades da vida, da cognição e da interação humana. Sua abordagem integrativa e holística trouxe contribuições significativas para a biologia, a teoria do conhecimento e a ciência cognitiva.


Humberto Maturana é amplamente reconhecido por suas contribuições na teoria dos sistemas vivos, especialmente na sua proposta de autopoiese. A autopoiese é um conceito central em seu trabalho e refere-se à capacidade dos sistemas vivos de se auto-organizarem e se autorreplicarem. Maturana e seu colaborador, Francisco Varela, desenvolveram essa teoria, que descreve os organismos vivos como sistemas fechados e autorregulados, capazes de se reproduzirem por meio de processos internos.


Essa perspectiva revolucionária de Maturana destaca a interdependência e a integração entre a vida e a cognição. Para ele, a cognição não é uma atividade mental separada, mas uma característica intrínseca aos organismos vivos. Através da cognição, os organismos interagem com o ambiente e respondem adaptativamente às mudanças.


Durante sua carreira, ele explorou diversos temas e aqui apresento alguns dos principais tópicos que ele abordou em suas pesquisas e publicações:


  • Autopoiese: Maturana desenvolveu o conceito de autopoiese para descrever a capacidade dos sistemas vivos de se autocriarem e se autopreservarem. Os organismos vivos são sistemas fechados, que se reproduzem por meio de processos internos, preservando sua estrutura e organização.


  • Cognição: Maturana enfatizou a relação intrínseca entre a cognição e a vida. Ele argumentava que a cognição é uma característica inerente aos organismos vivos, permitindo-lhes interagir com o ambiente e adaptar-se às mudanças.


  • Estruturas Cognitivas: As estruturas cognitivas, segundo Maturana, são moldadas pela biologia e história evolutiva de cada organismo, influenciando a forma como percebemos o mundo, interpretamos informações e interagimos com o ambiente. Essas estruturas são subjetivas e individuais, sendo constantemente atualizadas e modificadas por meio da interação com o mundo. Elas desempenham um papel crucial na autopoiese e na interação dos organismos, influenciando o aprendizado, a solução de problemas e a cooperação social. Reconhecer a importância das estruturas cognitivas nos convida a estar abertos a diferentes perspectivas e interpretações, enriquecendo nossa compreensão do mundo.


  • Coevolução: Maturana ressaltou a importância da coevolução entre os organismos e seu ambiente. Ele argumentou que a interação contínua entre os organismos e o ambiente resulta em uma influência mútua ao longo do tempo. Essa coevolução implica que a forma como os organismos percebem e se relacionam com o mundo pode influenciar a evolução e a adaptação de suas estruturas cognitivas.


  • Linguagem: Maturana abordou a linguagem como uma forma de interação social e uma extensão da cognição. Para ele, a linguagem emerge da interação entre os indivíduos e desempenha um papel fundamental na construção de significados compartilhados e na coordenação das ações sociais.


  • Observador: Maturana enfatizou a importância do papel do observador na construção do conhecimento e da realidade. Ele argumentou que o conhecimento é construído a partir da perspectiva do observador, e nossa compreensão do mundo é baseada em nossas experiências, valores e estruturas cognitivas individuais.


Humberto Maturana deixou um legado significativo ao promover uma visão integrativa da vida, da cognição e da interação humana. Sua teoria dos sistemas vivos, com destaque para a autopoiese, revela a complexidade e a interdependência dos organismos vivos com o ambiente. Maturana enfatizou que a cognição não é apenas uma atividade mental, mas uma característica fundamental dos seres vivos, permitindo-lhes adaptarem-se e interagirem com o mundo.


Suas ideias têm influenciado não apenas a biologia, mas também a filosofia, a psicologia, a sociologia e outras disciplinas, fornecendo uma base teórica sólida para a compreensão da vida e da cognição. Por meio de sua abordagem integrativa, Maturana nos convida a refletir sobre a interação contínua entre os organismos vivos e o ambiente, destacando a importância da nossa perspectiva individual na construção do conhecimento e da realidade.


Recomendo essas duas obras, entre tantas incríveis que ele escreveu colaborativamente:

"A Árvore do Conhecimento - As bases biológicas da compreensão humana" por Humberto R. Maturana e Francisco J. Varela (1984)

"Habitar Humano, em seis ensaios de biologia-cultural" por Humberto R. Maturana e Ximena Dávila Yáñez (2008)


A obra de Humberto Maturana continuará a inspirar e a desafiar nossa compreensão da vida, da cognição e da interação humana, proporcionando uma visão abrangente e dinâmica do mundo ao nosso redor.


Palavras-chave: Humberto Maturana, sistemas vivos, autopoiese, cognição, estruturas cognitivas, coevolução, linguagem, observador.


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